Santander vai fechar capital? Entenda o que está acontecendo
Para Marco Saravalle, CIO da MSX Invest e da Krivo, acionistas que não participarem da possível oferta correm o risco de permanecer com papéis de baixa negociação
Foto: Divulgação O plano do Santander Espanha para adquirir as ações do Santander Brasil que ainda estão em circulação pode alterar a posição dos atuais investidores e reduzir a liquidez dos papéis negociados na B3. A avaliação é de Marco Saravalle, CIO da MSX Invest e da Krivo.
A controladora espanhola anunciou a intenção de lançar uma oferta pública voluntária de aquisição, com o objetivo de ampliar sua participação no Santander Brasil. A proposta alcançaria ações ordinárias, preferenciais e as units SANB11 que não pertencem atualmente ao grupo controlador.
Na operação, os acionistas do Santander Brasil poderiam trocar seus papéis por ativos vinculados à matriz espanhola. Com isso, deixariam de ser acionistas diretos da operação brasileira para se tornarem investidores do grupo Santander como um todo.
Segundo Saravalle, o movimento se aproxima, na prática, de uma retirada das ações brasileiras do mercado, embora o banco ainda não tenha anunciado formalmente o fechamento de capital do Santander Brasil na B3.
“Você deixa de ser acionista do Santander Brasil para ser acionista do Santander Espanha”, explicou o analista durante participação na programação da BM&C News.
Santander no radar: baixa liquidez é risco para quem não aderir
Um dos principais pontos de atenção está na situação dos investidores que decidirem não participar da oferta. Saravalle afirma que esses acionistas podem permanecer com papéis que terão menor volume de negociação no mercado.
“Quem não participar corre o risco de ficar com uma ação na mão, com baixíssima liquidez, e ter dificuldade depois para vender e negociar”, alertou.
Diante desse cenário, o CIO avalia que os investidores terão poucas alternativas além de aderir à permuta ou aproveitar uma eventual valorização das ações para vender os papéis diretamente na bolsa.
Saravalle afirma que, embora considere a participação na oferta uma possibilidade para o acionista, esperava uma compensação maior pela transferência da participação para a matriz espanhola.
“Eu esperaria, e acharia justo, um prêmio maior para os acionistas, mas é isso que foi proposto. Não vejo uma possibilidade de mudança nesse prêmio”, disse.
Santander oferece prêmio de aproximadamente 15%
Pelas condições inicialmente apresentadas, a relação de troca representaria um prêmio próximo de 15% em comparação com o fechamento anterior das ações. O valor final, entretanto, depende de variáveis como a cotação dos papéis do Santander Espanha e o câmbio.
Para Saravalle, o mercado não deveria incorporar imediatamente a totalidade desse prêmio. A estimativa apresentada pelo analista era de valorização entre 8% e 12% para as units SANB11 após a abertura das negociações.
Durante o leilão realizado antes do início regular do pregão, os papéis do Santander Brasil chegaram a registrar alta de 7,33%, movimento considerado compatível com a expectativa inicial do analista.
Parte do desconto em relação aos 15% oferecidos pode ser explicada pelas incertezas envolvendo a conclusão da operação, a variação cambial e a possibilidade de investidores preferirem vender as ações na B3, em vez de participar da troca.
Controlador pode considerar ações descontadas
Na avaliação de Saravalle, a decisão do Santander Espanha também sinaliza que a controladora enxerga valor nos ativos brasileiros e considera as ações do banco negociadas abaixo de seu potencial.
“Talvez hoje o melhor ativo do Santander no mundo seja o Santander Brasil”, afirmou.
O analista reconhece que a operação brasileira apresentou resultados mais fracos e que as ações sofreram nos últimos meses. Ainda assim, destaca o potencial de crescimento, rentabilidade e distribuição de dividendos do mercado brasileiro.
“A sinalização do Santander Espanha é: ‘Eu quero aumentar a minha posição e estou vendo as ações baratas’”, analisou.
Com a aquisição dos papéis em circulação, a matriz espanhola ampliaria sua exposição ao desempenho do Santander Brasil e reduziria a participação de acionistas minoritários na operação local.







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