EXCLUSIVO | COMUNIDADE RURAL DENUNCIA: LAMA IMPEDE ACESSO À EDUCAÇÃO E FAMÍLIAS SÃO NOTIFICADAS EM FERNANDÓPOLIS-SP
Moradores do Pingo D’Água relatam dificuldade de locomoção em dias de chuva e questionam cobrança por faltas escolares que fogem do controle das famílias
Foto frame arquivo Fernandópolis (SP) — Um cenário que mistura abandono, dificuldade e indignação tem marcado a rotina de famílias da comunidade rural do Pingo D’Água. Em meio a estradas de terra que se transformam em lama durante períodos de chuva, pais relatam que crianças estão sendo impedidas de chegar à escola — e, ainda assim, as famílias vêm sendo notificadas por excesso de faltas.
Documentos enviados aos responsáveis alertam sobre as consequências da ausência escolar, incluindo possíveis encaminhamentos ao Conselho Tutelar e até ao Ministério Público. A medida, no entanto, tem gerado revolta entre moradores, que afirmam não se tratar de negligência, mas de uma realidade estrutural ignorada há anos.
“Quando chove, não tem condição de sair. O ônibus não passa, carro não entra, e a criança não tem como chegar até a escola. A culpa não é dos pais”, relatou um morador da comunidade.
A situação expõe um problema maior: a precariedade das estradas rurais. Sem manutenção adequada, os acessos ficam praticamente intransitáveis em dias chuvosos, isolando famílias e comprometendo o direito básico à educação.
Apesar de a legislação brasileira determinar que a frequência escolar é uma responsabilidade compartilhada entre família e Estado, moradores questionam a ausência do poder público na garantia das condições mínimas para que esse direito seja cumprido.
Outro ponto que causa indignação é o fato de que, segundo relatos, a própria comunidade já buscou apoio junto ao Conselho Tutelar, tentando expor a realidade enfrentada sem que soluções efetivas tenham sido implementadas até o momento.
Para os moradores, a cobrança por frequência escolar, sem considerar as dificuldades reais de acesso, é injusta e desproporcional.
“Não é justo penalizar quem já está sofrendo. A gente quer que nossos filhos estudem, mas precisa ter estrada”, afirmou outro pai.
A situação levanta um alerta urgente: o futuro dessas crianças não pode ser prejudicado pela lama. A educação, garantida por lei, depende também de infraestrutura — e, nesse caso, ela simplesmente não existe em condições adequadas.
Enquanto isso, a comunidade segue pedindo socorro.
Em um município com orçamento público e estrutura administrativa consolidada, moradores questionam: até quando a zona rural continuará esquecida?
A reportagem reforça que o espaço segue aberto para manifestação das autoridades responsáveis.
Porque educação não pode parar na lama.







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